Filho de engenheiro químico, enxadrista e criado sob a forte influência do polo petroquímico de Cubatão (SP), Donato Aranda iniciou sua trajetória técnica como Técnico em Química em Santos (SP). Formou-se posteriormente em Engenharia Química pela Escola de Química da UFRJ, instituição onde hoje é Professor Titular.
Ainda no 4º período da graduação, recebeu uma bolsa do Prof. Giulio Massarani e passou a trabalhar com a Profa. Fátima Zotin, desenvolvendo experimentos de adsorção. Nos anos seguintes, participou do curso de Catálise ministrado pelo Prof. Eduardo Falabella e atuou como monitor das disciplinas de Cinética e Reatores do Prof. Martin Schmal. Após uma experiência enriquecedora na PETROQUISA S.A., decidiu seguir carreira acadêmica, ingressando no mestrado e posteriormente no doutorado na COPPE/UFRJ, sob orientação do Prof. Schmal e com apoio do Prof. Fabio Passos, seu primeiro parceiro em publicações científicas.
Os trabalhos iniciais renderam-lhe o Prêmio Atlantic de Produção Científica, competindo com alunos de toda a COPPE, e o levaram a ser um dos primeiros estudantes convidados a ingressar diretamente no doutorado. Após defender o doutorado, foi para os Estados Unidos, no laboratório do Prof. Fabio Ribeiro, então professor da Worcester Polytechnic Institute (Massachusetts).
Em 1997, foi aprovado em primeiro lugar no concurso para Professor de Cinética e Termodinâmica do Departamento de Engenharia Química da UFRJ. Já como docente, iniciou uma parceria científica extremamente produtiva com o saudoso Prof. Octávio Antunes, uma das figuras mais influentes de sua carreira. Em seguida, aprofundou-se na química teórica aplicada à catálise por meio da colaboração com o Prof. José Walkimar Carneiro, adquirindo uma compreensão mais profunda — e até libertadora — de muitos conceitos antes percebidos como excessivamente empíricos.
Nos anos posteriores, passou a dividir a coordenação do Laboratório de Termodinâmica e Cinética Aplicada (LATCA/UFRJ) com o Prof. Krishnaswamy Rajagopal, um dos maiores nomes da engenharia química brasileira. As contribuições do Prof. Raja foram fundamentais para consolidar a confiança necessária para enfrentar desafios industriais de grande porte.
O reconhecimento mais amplo do trabalho do Prof. Donato Aranda decorre de suas pesquisas em produção de biodiesel e de sua atuação junto a inúmeras empresas de biocombustíveis. Em 2003, licenciou a patente que viabilizou a primeira fábrica de biodiesel do Brasil e a primeira unidade no mundo a operar com catálise heterogênea, implantada pela Agropalma. Em 2005, recebeu o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica, entregue pelo Presidente da República, e em 2006 foi agraciado com a Medalha Tiradentes. Em 2007, conquistou o principal prêmio da Sociedade Brasileira de Catálise (Prêmio Catálise e Sociedade) e, no mesmo ano, foi homenageado com a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, entregue pelo Presidente Lula. Também recebeu o prêmio Inventor Petrobras em 2009, 2011 e 2013, além do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica em 2018.
Paralelamente às pesquisas em novos processos catalíticos para produção de biocombustíveis, Aranda coordena o PROCAT, o maior centro de plantas-piloto em catálise da América Latina. Em 2022, em parceria com os Professores João Monnerat e Pedro Romano (IQ/UFRJ) e Eduardo Falabella (EQ/UFRJ), criou o LIPCAT/UFRJ — Laboratório de Intensificação de Processos e Catálise, hoje o maior laboratório de catálise do país.
Autor de cerca de 170 artigos científicos em periódicos internacionais, já concluiu a orientação de 104 dissertações e teses, deixando forte legado acadêmico. Atua ainda como Membro do Conselho Consultivo do Instituto SENAI de Inovação em Biomassa, Membro do Advisory Board da Brazil-Texas Chamber of Commerce (BRATECC), Coordenador da Rede Brasileira de Biodiesel (MCTI), Consultor Técnico da UBRABIO e consultor de diversas empresas de biocombustíveis no Brasil e no exterior.


