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Minha trajetória na catálise começou em 2005, quando comecei o curso de Química na Universidade Federal de Goiás. Durante a graduação, comecei no terceiro período do curso a minha iniciação científica na área de nanomateriais sob orientação da Profa. Dra. Patrícia Sartoratto, uma grande incentivadora. Em 2010 ingressei no Mestrado em Química (UFG), também sob orientação da Profa. Patrícia, trabalhando com catalisadores de óxido de cobalto suportado em zircônias para abatimento de poluentes gasosos. Neste momento, durante a avaliação catalítica realizada em parceria com o Prof. Ernesto A. Urquieta-González, adquiri uma enorme admiração pela catálise dedicada à solução de problemas ambientais.
Após a conclusão do meu mestrado em 2012, me casei (com uma futura catalítica) e me mudei para São Carlos para começar meu doutorado em Engenharia Química sob a orientação do Prof. Ernesto, outro grande incentivador de novas ideias e parcerias. Durante o doutorado estudei catalisadores a base de metais não nobres que pudessem eventualmente substituir o alto consumo de platina em processos de FCC.
Em 2015, morei por um ano na República Tcheca para realizar o doutorado-sanduíche. Foi neste momento que tive o enorme prazer de conhecer uma das pessoas mais admiráveis de minha carreira, o Prof. Rajender S. Varma, pesquisador visitante no Regional Centre of Advanced Materials (RCPTM), Olomouc, Palacky University, e também pesquisador sênior no EPA-USA. Sob a supervisão do prof. Varma e do Prof. Radek Zboril, fui incentivado a estudar a síntese de catalisadores usando metodologias verdes e aplica-los para reações de conversão de compostos oriundos da biomassa lignocelulósica. Foi um ano muito intenso, de muito trabalho, amigos e viagens, ao lado de minha esposa Carolina G.S. Lima, que na ocasião também realizava seu estágio no exterior. Retornando ao Brasil e com a visão completamente modificada pela sustentabilidade e Química Verde, defendi minha tese em agosto de 2016.
O grande esforço, trabalho e parcerias, rendeu importantes publicações em renomadas revistas de catálise como Applied Catalysis B, ACS Catalysis, Applied Catalysis A e Green Chemistry. Ao final do doutorado, estabeleci uma parceria com os Prof. Lúcia Helena Mascaro, Ernesto Chaves e Márcio Paixão, tendo conseguido uma bolsa de pós-doutorado FAPESP para trabalhar no Centro de Excelência Para Pesquisa em Química Sustentável, aprofundando meus estudos com reações de biomassa e catalisadores a base de zeólitas, nitretos de carbono, entre outros.
Em 2018 tive a felicidade de ser aprovado em concurso para o Departamento de Química Inorgânica da Universidade Federal Fluminense, que se tornou minha casa. Durante o estágio inicial da minha carreira como professor, diversos desafios foram enfrentados, mas sempre tive a ajuda de pessoas especiais e que serei eternamente grato.
No mesmo ano, fundei meu grupo de pesquisa, o Grupo de Catálise e Valorização da Biomassa (GCVB) e me tornei membro do renomado Laboratório de Reatores, Cinética e Catálise, coordenado pelo prof. Fabio B. Passos, que me acolheu e abriu as portas de seu laboratório para mim. O pequeno grupo, que foi iniciado com apenas um aluno de IC, já formou mestres, doutores, supervisionou pós-doutores, trabalhos de conclusão de curso e plantou a semente da catálise em diversos jovens. Devo agradecer especialmente à FAPERJ que em editais inclusivos permitiu que jovens pesquisadores em início de carreira tivesse a chance de prosperar. Hoje, seis anos depois vejo que conquistei muito, tive muita dedicação, resiliência, mas que sem a dedicação dos alunos que passaram por nosso grupo nada seria conquistado. O mesmo é verdade para aqueles me ajudaram em diversos momentos e continuam me ajudando.
Vejo que muito ainda pode ser conquistado, muita luta pela frente, mas sempre tendo em mente o divertido e inclusivo mundo da Catálise como guia, e contando com a SBCAT como uma grande família acolhedora, inspiradora e fonte de novos amigos.
Minha jornada na catálise, embora mais curta que muitas compartilhadas aqui, é cheia de aventuras inesperadas e conquistas gratificantes. Em 2007, ingressei o curso de Química Industrial na UFPA, um jovem de 17 anos coberto de ambição, curiosidade e uma pitada de arrogância, traços típicos dessa fase da vida. Nessa altura da vida, eu não almejava fazer mestrado ou doutorado; meu desejo era trabalhar na indústria!
No ano seguinte, a catálise despertou meu interesse pela primeira vez durante uma Iniciação Científica no laboratório gerenciado pelo Prof. Geraldo Narciso. Lá, dediquei dois anos aos estudos de hidrotalcitas e perovskitas. Meu primeiro congresso, o 15° CBCAT, ocorreu em Búzios no ano de 2009. O alto nível científico dos debates acendeu em mim um forte desejo de conhecimento. Eu queria ser igual aquelas pessoas importantes que estavam apresentando as plenarias.
Com o término da graduação, tive a oportunidade de finalmente atuar na indústria, mais precisamente no setor cervejeiro. A falta de desafios me levou, após quatro meses, a buscar um novo rumo. Segui então para o Rio de Janeiro para iniciar meu mestrado em catálise sob a supervisão dos professores Arnaldo Faro e Luz Amparo, na UFRJ. Foi então que a paixão pela catálise se aprofundou, embora, no início parecesse um amor não correspondido, devido a lenta compreensão do meu projeto de pesquisa e desafios na condução dos experimentos. Eu diria que a persistência foi uma excelente aliada.
Enfeitiçado por essa ciência que parecia desdenhar de mim, a catálise me levou a caminhos inesperados: concluí um doutorado-sanduíche entre Brasil e França (2018), com o valioso suporte dos professores Arnaldo Faro e Françoise Maugé. Aqui, eu tive a oportunidade de explorar mundos muito diferentes do meu (acesso a técnicas e laboratórios muito avançados, discussões cientificas com pessoas muito diferentes de mim, imersão cultural etc.). O Tiago do doutorado era completamente diferente do Tiago da graduação: eu estava disposto a me mudar para qualquer lugar que me oferecesse a chance de entender um pouco mais sobre sulfetos e reações de HDS. Inesperadamente e sem aviso prévio, a academia se tornou meu lar, e meus colegas de laboratório, irmão científicos, com destaque especial para os doutores Santiago Arias e Marcio Donza, que literalmente dividiram as trincheiras comigo. Após o doutorado, tive a oportunidade de continuar fazendo ciência em um pós-doutorado sob a supervisão do Dr. Marco Fraga, no INT. Foram quase três anos de discussões sobre conversão de biomassa e acidez de catalisadores. Sem falar nos debates filosóficos, que perduram até hoje nos encontros que a vida nos proporciona. Em 2021, quando eu estava convencido que a minha carreira seria conduzida na academia, surgiu uma oportunidade rara de trabalhar com catálise dentro do setor industrial. Como dizia meu pai: só não mudam os loucos e os mortos!
Hoje, trabalho como Consultor de Desenvolvimento de Produtos na Fábrica Carioca de Catalisadores e posso dizer que é fascinante observar experimentos criados em escala laboratorial serem aplicados em escala industrial.
Minha relação com a catálise continua, e almejo que persista por muitos anos. Sou eternamente grato aos cientistas que compartilhei e compartilho essa caminhada.
Minha trajetória em direção à Catálise e ao trabalho científico começou com a minha escolha em cursar Engenharia Química na Universidade Estadual de Maringá, em Maringá, interior do Paraná, cidade próxima de onde tinha passado minha infância e crescido (Cianorte/PR). Ainda no primeiro ano de graduação procurei entre os professores do DEQ/UEM, alguém a oferecer algum projeto de iniciação científica do qual eu pudesse participar. E foi a Professora Nanci Pinheiro Povh, que na época desenvolvia pesquisas nas áreas de separação, sistemas particulados, equilíbrio de fases e propriedades termodinâmicas, que me presenteou com uma oportunidade para realizar a extração de corante e óleos essenciais da cúrcuma ou açafrão da Índia(Curcuma longa). Os dois anos de IC, em colaboração com outros alunos, rendeu minha primeira participação em um congresso (no 4º COBEQ-IC)e primeira publicação em periódico internacional (no J. Agricultural and Food Chemistry), ambos celebrados com muita felicidade e orgulho. A pesquisa científica me mostrava novas possibilidades de transformação e a Eng. Química começava a fazer mais sentido do que aquilo que até então eu só via nas aulas e nos livros.
Fiz parte do PET-EQ (Programa de Educação Tutorial) durante quase toda a graduação e essa foi uma experiência muito rica, pois o caráter multidisciplinar do PET incentivou a minha atuação em diversas atividades de ensino, pesquisa e extensão, estimulando proatividade e trabalho em grupo. Meu segundo projeto de IC foi na área de tratamento de efluentes por processos de oxidação avançada, sob a orientação da Professora Célia Regina G. Tavares e da então doutoranda Cláudia T. Benatti. O estudo tinha por objetivo principal caracterizar o efluente gerado no Laboratório de Controle e Preservação Ambiental (LCPA) do DEQ/UEM, após o tratamento pelo processo de oxidação pelo reagente Fenton, e contribuir com a adequada disposição dos resíduos químicos do próprio laboratório. Por fim, antes de concluir a graduação,iniciei um novo trabalho de IC, desta vez na catálise, sob orientação da Professora Onélia Andreo dos Santos, para investigara reação de hidrogenação de aldeído cinâmico a álcool cinâmico, produto de interesse das indústrias de fragrâncias e farmacêutica. Trabalho que abriu as portas da catálise na minha vida.
Ao me graduar em 2006, decidi seguir diretamente para o mestrado e tive a oportunidade de escolher o Programa de Engenharia Química da COPPE/UFRJ como nova casa. Fui convidado para o doutorado direto e optei por desenvolver a tese na área de Cinética e Catálise, sob orientação dos professores Victor Teixeira da Silva (in memoriam) e Martin Schmal, a quem sou muito grato por todos os exemplos, ensinamentos, paciência e dedicação na minha formação profissional. Importante lembrar que a IC em catálise durante a graduação me deixou bastante inclinado a escolher esta mesma área de pesquisa no doutorado, e que viria a fazer parte do meu dia a dia a partir dali (por isso considero o trabalho de IC tão importante!). Desenvolvi a tese na síntese, caracterização e aplicação de óxidos mistos do tipo perovsquitas em reações de oxidação de CO e de hidrocarbonetos e reforma de metano. Ainda no doutorado, passei um período de doutorado sanduíche no Departamento de Química Inorgânica do Instituto Fritz-Haber/Max-Planck em Berlim/Alemanha. Após a defesa do doutorado em 2010, iniciei um pós-doutorado na COPPE com bolsa do Programa Nacional de Pós‐Doutorado (PNPD/CAPES) – diga-se de passagem, um programa super importante para a fixação de doutores no país, seja na indústria ou na academia – e em colaboração com o Instituto Fritz-Habersobre a ativação e acoplamento do metano a partir de trabalhos iniciados por Ruth L. Martins e Silvia F. Moya, sob a supervisão do Prof. M. Schmal.
Dois anos depois me tornei professor adjunto do Programa de Engenharia Química da COPPE/UFRJ e comecei a lecionar e orientar teses e dissertações em conjunto com profissionais que até então eram minhas grandes referências. Fui estimulado pelos colegas do PEQ e do NUCAT (Martin Schmal, Lídia Dieguez, Vera Salim, Neuman Resende, Victor Teixeira, Márcia Dezotti, Tito Lívio, Cristiano Borges, Ângela Uller) a vivenciar um período sabático no exterior, a fim de oxigenar as ideias e ganhar experiência. Entre 2013 e 2014 estive no Laboratory for the Science and Applications of Catalysis na Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), sob a supervisão do Prof. Enrique Iglesia, e conduzi pesquisa focada no estudo mecanístico das reações de hidrogenação de CO sobre catalisadores metálicos envolvendo abordagem cinética e espectroscópica. Foi um período intenso de trabalho e vivência da pesquisa científica sob uma ótica diferente do que eu estava acostumado. Um país que leva a ciência a sério usufrui de um desenvolvimento científico-tecnológico diferenciado. A experiência no exterior só tende a fazer realmente bem, nos torna maduros e mais corajosos para enfrentar desafios. E sempre mantive o interesse em retornar ao Brasil e retribuir aqui a experiência vivida lá fora.
Desde 2014 tenho me dedicado intensamente à catálise, às aulas na graduação e pós-graduação, a projetos científicos e à orientação de dissertações e teses. E é na orientação onde mais aprendo, junto com os alunos, quais são os novos desafios e como podemos deixar nossa contribuição para o progresso da ciência e da vida. Até o momento já foram 21 orientações de mestrado e doutorado concluídas com a colaboração de colegas de vários institutos, com os quais tenho imenso prazer em trabalhar (tanto os alunos quanto os professores coorientadores). Sou Jovem Cientista do Nosso Estado FAPERJ desde 2019, apoio muito importante para ajudar a estabelecer a minha atuação na pesquisa.O dia a dia do Pesquisador é intenso e muito dinâmico, e tem sido necessário muito fôlego para driblar as dificuldades que só a gente conhece. Sigo com particular interesse no estudo das reações da (i) química do C1 e valorização do CH4, CO e CO2, (ii) síntese de Fischer-Tropsch, e (iii) alcoolquímica e valorização de biomassa, buscando complementar aspectos experimentais e teóricos, fundamentais e aplicados em Catálise e Engenharia Química.
Ainda tenho muito a aprender. A trajetória profissional está apenas no início, mas me sinto muito grato e motivado pelos inúmeros exemplos de excelentes profissionais que a Catálise teve e tem no Brasil. Adoro a liberdade que a vida acadêmica e científica proporciona e espero contribuir com a nossa sociedade ao lado dos alunos e pesquisadores que também aceitaram esta mesma jornada.
Um sonho de criança... ser arqueologista, depois oceanógrafa, depois o profundo interesse pela história antiga... E qual a relação com a Engenharia Química? A paixão pelos mistérios da transformação. De uma apaixonada pela história antiga até a paixão pela química, pelos materiais, elétrons, nanopartículas, sítios catalíticos, etc. Está tudo interligado! Hoje nós somos a própria teoria da “Dualidade Partícula-Onda” e, com a concretização da teoria em prática, através da tecnologia dos equipamentos nos foi possível avançar e enxergar. Foi em 1983, ainda com 15 anos, que comecei a cursar Engenharia Química na Escola de Química da UFRJ. Os anos da graduação não foram anos fáceis! Lembro bem da prova que levou sete horas de duração (muitos colegas contemporâneos irão lembrar). Como cadeira eletiva do curso, o primeiro contato com a catálise. Professor Martin Schmal (COPPE/UFRJ), com suas aulas fazia brotar ainda mais meu interesse pela catálise heterogênea e pela cinética das reações. Ele esteve presente em quase toda minha jornada, desde o doutorado na COPPE/UFRJ até o pósdoutorado em Berlin, Alemanha. A maturidade científica e pessoal vinha sendo construída ao longo do doutorado, desenvolvendo estudos tendo como raiz sólida o conhecimento repassado por muitos que dedicaram e seguem dedicando suas vidas para a pesquisa e o desenvolvimento. A partir da base, a minha maturidade alçava os primeiros vôos com o pós-doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000 a 2002), onde tive o imenso prazer de conviver e trabalhar com o Professor Roberto Fernando de Souza e a Professora Michèle Oberson de Souza. Seguindo o curso da vida, tal como o curso de um rio, o deságüe em novos horizontes foi inevitável favorável. De volta ao Rio de Janeiro em 2002, eu compus a equipe de projeto coordenado pelo professor Martin Schmal e no ano seguinte, mais precisamente em setembro de 2003, estava eu a Ingressar no Fritz Haber Institute of the Max Planck Society, sob a direção do Prof. Dr. Hans-Joachim Freund. Um mundo científico novo e fascinante, difícil e desafiador ao mesmo tempo. Desenvolver estudos devotados à ciência de superfície, na obtenção de filmes de nióbia da ordem de angstroms foi uma superação e tanto!...A experiência que lá passei, foi como se tivesse vivido em dois anos, o que o teria feito em dez. Tanta história e tanta vanguarda! Nestes dois anos de imersão pude aprofundar meus conhecimentos nas técnicas que operam em ultra alto vácuo e entre elas a de espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS). Na mesma trilha, retornei ao Brasil e fui trabalhar no INMETRO. Somando esforços junto a queridos colegas icônicos como o professor Carlos Achete (INMETRO-PEMM-UFRJ), Professor Fernando Stavale (CBPF-MCTI) e professor Daniel Weibel (UFRGS) e o professor Horst Niehus, da Humboldt Universität, Berlim, instalamos, montamos e desmontamos e operamos o XPS do INMETRO, apoiada pelo CNPq (554455/2006-4) no projeto intitulado “Óxidos metálicos: nanocatálise, interface entre a ciência de superfície e a catálise”. Apertei muitos parafusos!!! Estes pesquisadores foram formidáveis com os quais pude aprender muito em XPS, dentre outras técnicas que operam em Ultra Alto Vácuo. A motivação sempre foi a catálise, nanocatálise, nano, a reatividade e a superfície dos materiais dos catalisadores. Muito aprendi, cresci e caminhei. Com o amplo portfólio de conhecimentos adquiridos, tomei posse, em 2009, como pesquisadora concursada no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), atuando na Divisão de Catálise, Biocatálise e Processos Químicos (DICAP). Dentre as muitas atividades, venho nestes longos doze anos me dedicando a implementação, desenvolvimento e disseminação da técnica de XPS. Pude Conduzir e acompanhar (com a ajuda de muitos), mais uma vez, a instalação, operação e implementação da técnica no Centro de Caracterização em Nanotecnologia para Materiais e Catálise (o CENANO). Desde 2010 componho o grupo gestor do CENANO, sempre promovendo e difundindo a técnica e somando esforços a muitos colegas na implementação do centro. Nestas décadas, no meio a muitos livros e estudos identifiquei a necessidade de livros básicos sobre XPS, escritos na língua portuguesa e que permitissem aos usuários interessados descortinar o “pequeno grande mundo” dos fenômenos físicos e aplicações do XPS. Oportunamente obtive financiamento da FAPERJ para a edição de dois livros na área: o primeiro em 2011 – “Introdução à técnica de espectroscopia fotoeletrônica por raios X” (ISBN 978-85-61325-61-9) – e outro lançado em outubro de 2015, “Introdução à técnica de espectroscopia fotoeletrônica por raios X: Tratamento dos dados gerados – tutorial do software XPS” (ISBN 978-85-68483-10-7). Dentre os frutos, parcerias e colaborações importantes como, por exemplo, a com o Dr. Neal Fairley, Inglaterra, criador do software de tratamentos de dados “CASAXPS”, que nos auxiliou a interpretar as análises em elementos químicos ditos “não convencionais”, como é o caso do Rutênio, muito importante no campo da catálise e a parceria com Alexandre Melo e Fernando Stavale, do CBPF. Desde a implementação da técnica de XPS no INT, a atuação foi transversal, permitindo diferentes parcerias politécnicas com entidades científicas (institutos de pesquisa, instituições de ensino e empresas) e, principalmente com a equipe do Cenano (bolsistas e servidores). No campo da catálise, desde o início, o comportamento catalítico e o ambiente eletrônico entre a interface dos metais ou óxidos de metais de transição como, por exemplo, molibdênio, nióbio, vanádio, magnésio, somado ao interesse pelo domínio da síntese de nanopartículas permeiam o centro das linhas de pesquisa as quais conduzo e me dedico. Não poderia deixar de mencionar ao Dr. Paulo Gustavo Pries de Oliveira com quem iniciei parceria em 2010 e mantenho até hoje buscando a formulação adequada para a obtenção seletiva de propeno para a oxidação desidrogenativa do propano. O desenvolvimento de um carvão ativado a partir da palha de cana de açúcar foi alcançado a partir da idéia que surgiu em 2013. Logo, um leque de oportunidades de usos e aplicações tecnológicas foi aberto e mais parcerias vieram estreitando e mantendo laços com UFN, UFS, UERJ, UFSC. O uso deste como suporte na formulação de catalisadores para a oxidação de alcanos leves, assim como na formulação de materiais compósitos carbonáceos a base de óxido de grafeno, encontra aplicação nos mais variados setores como catálise, tratamento de água, e mais recente, ainda embrionário, no desenvolvimento e síntese de eletrocatalisadores para a redução do CO2 em CO. Estas são linhas de pesquisa nas quais venho atuando: uma árvore com fortes raízes e novos galhos que buscam o futuro. Em todas as atividades científicas, a caracterização por XPS está sempre presente. Finalizando, trago dois destaques: coordenar o projeto SisNano (Sistema Nacional de Nanotecnologia- MCTI), que traz o CENANO como laboratório estratégico do MCTI e compor a equipe do grupo de trabalho “BRICS Working Group on Materials Science and Nanotechnology”.
A vida é um colar de pérolas e cada pérola, um amigo, uma passagem, um momento que se eterniza. Assim é a catálise, assim sou eu. Por que mencionar (haveria mais a destacar) algumas pessoas? Porque nosso crescimento profissional não seria nada sem nossos amigos, nossos parceiros.
Belém do Pará, a “Cidade das Mangueiras”, terra em que o calor da Floresta Amazônica está presente também nas pessoas que nela moram, esse é o lugar em que nasci e escolhi para trabalhar.
Minha trajetória escolar durante o Ensino Básico foi vivida em grande parte nas escolas públicas, e em alguns poucos anos, em escolas da rede privada com bolsa de estudos. Desde meus 6-7 anos, desenvolvi afinidade pela leitura, “devorando” todos os livros da biblioteca na Escola, isso possibilitou que eu sempre tivesse um excelente rendimento escolar nas disciplinas, mas, de forma especial, adquiri um gosto particular por qualquer atividade relacionada aos cálculos, ou seja, passei a gostar de matemática.
Aos 13 anos, quando entrei no Ensino Médio, tive que selecionar qual a área de conhecimento em que iria me preparar para entrar na Universidade e para a vida profissional, não tive dúvidas...Ciências Exatas. Ao tentar ajudar colegas e amigos que vinham estudando no 1º e 2º anos, eu percebi que tinha um certo gosto em transmitir/compartilhar o conhecimento e, então, decidi ser Professor. E a disciplina que eu tive excelente desempenho no 3º ano foi a Química.
Foi assim que, ser professor de Química tornou-se uma meta na minha vida...
Ingressando em 1998 na Graduação de Licenciatura em Química da Universidade Federal do Pará-UFPA, logo nos primeiros anos descobri a importância da Pesquisa Científica, e ali surgiu sonho de, um dia, ser o Luís Adriano professor e pesquisador da UFPA.
Vivendo na Amazônia, a Química de Produtos Naturais sempre teve um papel expressivo e, com isso, não foi difícil me tornar bolsista de Iniciação Científica na área da Fitoquímica, visando o isolamento e identificação de substâncias com propriedades biológicas ativas. Me formei em 2002 e, enquanto aguardava a oportunidade de cursar um Mestrado com bolsa, fui contratado como temporário e prestei concurso público para a Secretaria de Educação do Estado (SEDUC).
Passei um ano, lecionando Química para o Ensino Médio em escolas em diversas cidades do interior do Pará. Ao ser nomeado para assumir o cargo efetivo pela SEDUC, voltei a Belém e aguardei a primeira oportunidade para cursar o Mestrado em Química Orgânica na UFPA, continuando meus estudos na área de Produtos Naturais e, ao mesmo tempo, dando aulas em escolas de Ensino Médio. Fui aprovado em 1º lugar no Mestrado e iniciei efetivamente as atividades acadêmicas de Pesquisa.
Após me tornar Mestre em Química Orgânica, senti que teria mais chances de me tornar professor da Universidade se eu buscasse uma outra área de Pesquisa que não tivesse a mesma visibilidade e massa crítica que a Fitoquímica. Apesar de estar muito familiarizado com o isolamento e identificação de metabólitos secundários, queria ampliar, ainda mais, minha visão de Ciência e atuar em algo que me possibilitasse agregar minha base científica a uma perspectiva de aplicação completamente nova para mim e, foi assim que, vislumbrei a Catálise e a valorização de resíduos presentes na Amazônia como uma possibilidade real de tema para o Doutorado.
Pensando essencialmente nas oportunidades como Doutor em Físico-Química, fui conversar com o Professor Dr. Geraldo Narciso, um dos poucos pesquisadores renomados, que representam a Catálise no Norte do Brasil, e apresentei um pré-projeto envolvendo preparo de catalisadores. Ele me aceitou orientar no Doutorado, e assim começou uma trajetória de parceria científica na área da Catálise.
Em 2007, durante o desenvolvimento da Tese, vivi momentos bastante desafiadores que me fizeram amadurecer cientificamente. Ao entrar no último ano de Doutorado, prestei concurso público para o Instituto Federal do Pará (IFPA) em Castanhal, fui aprovado e empossado rapidamente, tendo novamente que trabalhar e cursar uma pós-graduação.
Com a fase final do Doutorado, percebi que, mesmo com tantas dificuldades, eu tinha feito a melhor escolha para minha carreira, isto porque conseguimos pensar e executar (em plena Amazônia, quase sem recursos financeiros e estruturais, entre outras dificuldades) um trabalho de excelência. Como resultado de meu Doutorado em Físico-Química pela UFPA, em março de 2011, tínhamos publicado artigos científicos em revistas internacionais de excelente reputação, trabalhando com a produção de catalisadores preparados a partir de rejeito (da indústria de mineração) e sua aplicação para a produção de biodiesel (inclusive a partir de rejeito da indústria oleoquímica).
Em setembro desse mesmo ano, prestei concurso público para a vaga de Professor Adjunto em “Biocombustíveis e Biomassas Residuais” e em 1º de dezembro de 2011, consegui realizar meu sonho profissional: Tornei-me Professor da UFPA.
Passei a ministrar disciplinas na Graduação da Faculdade de Biotecnologia, da qual fui Diretor por dois anos, e em duas Pós-graduações (Química e Biotecnologia – nesta sou o atual vice-coordenador), com conteúdos relativos à Catálise, tais como Físico-Química, Físico-Química Avançada e Introdução à Catálise Heterogênea.
Em virtude dessas orientações e de colaborações com outras instituições no Brasil (IFPA, UNIFAP e UFAM) e no Exterior (México, Estados Unidos e Espanha), tenho conseguido uma produção relacionada à Catálise bastante consistente, a qual é constituída de artigos científicos, capítulos de livro internacionais e trabalhos ou resumos em eventos regionais, nacionais e internacionais. Também tenho atuado como revisor de periódicos nacionais e internacionais, editor convidado da revistas científicas, além de ministrar palestras sobre a Catálise e valorização de resíduos em eventos regionais, nacionais e internacionais. Considero importante dizer também que em 2018, fui membro da Comissão Organizadora e Vice-Presidente da Comissão Científica do XII ENCAT.
Além de participar de diversos projetos de pesquisa como colaborador, fui/sou coordenador de projetos com financiamento na área de Catálise, em chamadas relevantes no País, como Universal CNPq, FAPESPA (Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas) e Banco da Amazônia (BASA). Os resultados obtidos nesses projetos foram produtivos, com publicações de alto impacto na área (artigos e trabalhos em eventos científicos) e formação de recursos humanos (graduação, mestres e doutores). Importante ressaltar que, a divulgação científica aconteceu e vem sendo realizada de forma massiva nos mais diversos tipos de mídia regional e nacional, como jornais, sites, rádio e TV.
Desde a inauguração do Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá, em julho de 2016, sou vice-coordenador do Laboratório de Óleos da Amazônia (LOA), um espaço que permite preparar, caraterizar, testar e acompanhar o desempenho de diversos tipos de materiais em Catálise e Fotocatálise.
Essa atuação como “catalítico” resultou em 2021, na escolha de meu nome como “Pesquisador em Catálise” pela Sociedade Brasileira de Catálise. Um prêmio que contempla o pesquisador com até 40 anos de idade e que apresentou, nos últimos dois anos, uma das melhores contribuições para o desenvolvimento da catálise no nosso país e divulgação do Brasil no cenário internacional. A minha conquista do prêmio e a apresentação da palestra Keynote no CBCAT foram importantes para dar visibilidade e fortalecer a Pesquisa na área da Catálise na região Norte do Brasil.
Nesse sentido, a fim de implementar tecnologias catalíticas e inovadoras na Amazônia relacionadas com Biorrefinaria e a valorização de resíduos, estabeleceu-se a colaboração com o prof. Dr. Rafael Luque da Universidad de Córdoba-Espanha, um dos pesquisadores expertise e mais citados no mundo na área de Catálise e Química Verde. Uma etapa importante desta parceria foi a aprovação do meu projeto na Chamada CNPQ para Estágio de Pós-Doutorado no Exterior, tendo o Rafa Luque como supervisor.
Durante o Pós-doc na Universidade de Córdoba, Espanha tive acesso a técnicas de síntese e caracterização avançadas; e poder “fazer Ciência” em um ambiente de excelência mundial proporcionou um aprendizado fundamental para formar recursos humanos mais qualificados e implementar novas tecnologias no Brasil . Porém, mais do que reações no âmbito da biorrefinaria e aproveitamento de resíduos lignocelulósicos amazônicos, o principal legado desse período foi, estabelecer parcerias científicas que tendem a se consolidar ainda mais no futuro, com pesquisadores da Espanha, Itália, França, Cuba, Tailândia, Paquistão, Bangladesh, Ucrânia e Indonésia.
Nesse período também, recebi um convite mais que especial da Embaixada da Suécia no Brasil para preparar e gravar um material de divulgação científica, visando explicar ao grande público, quem são e qual a importância dos trabalhos realizados pelos vencedores do Prêmio Nobel de Química de 2021, especialmente no que se refere ao cotidiano das pessoas. Senti-me honrado e, com uma responsabilidade enorme, tive a chance de falar sobre Catálise para o meio acadêmico e fora dele.
Em 2022 fui contemplado para ser Bolsista de Produtividade do CNPQ (PQ-2), com a responsabilidade de continuar desenvolvendo pesquisa de alta relevância na área de Química no Brasil. Tenho conseguido atuar na Catálise de forma sólida, especialmente sob a óptica do tripé Universitário, Ensino, Pesquisa e Extensão. Venho formando Recursos Humanos, contribuindo com formação técnica, visitas, consultoria e análises gratuitas a Associações e Cooperativas de agricultores familiares na forma de atividades extensionistas dentro dos projetos. Lidero um laboratório que desenvolve pesquisas de alto nível dentro da Academia e, vale destacar, gera frequente divulgação científica nas mais diversas mídias, levando informações sobre Catálise para a Sociedade. Por isso, posso afirmar, sem dúvida alguma, que minha principal área de pesquisa é a Catálise e acredito que, mesmo com tantas dificuldades para se “Fazer Pesquisa no Brasil”, vou continuar lutando para manter ou melhorar o nível dos trabalhos em Catálise realizados por mim e por meu grupo de Pesquisa, assegurando nosso papel primordial na difusão da Catálise na Região Norte do País.
Finalizando...Preciso externar minha gratidão ao meu Mestre e amigo Geraldo Narciso que abriu as portas da Catálise para mim, ao meu grupo de Pesquisa e colaboradores que atuam em parceria, propiciando os resultados que temos alcançado; aos alunos que já oriento e orientei , pois eles já são (ou serão) a próxima geração de pesquisadores em Catálise no Brasil; ao Rafa Luque, pela confiança, amizade e cooperação e à SBCAT, pelas oportunidades, reconhecimento e pelo excelente trabalho que desenvolve em prol da Catálise brasileira.
Graças à Catálise, realizei o sonho de ser professor na casa que me formou, a UFPA transformou a minha vida e, no aspecto que considero mais bonito, tem me ajudado a transformar a vida de diversas outras pessoas, por isso preciso dizer:
Viva à Catálise! Viva à Química! Viva à Ciência!