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Desde a infância, sempre fui movido pela paixão em descobrir o novo e entender o funcionamento dos fenômenos, tendo a ciência e a música como companheiras constantes. Meu envolvimento com a música começou em 1998, e minha trajetória científica teve início em 2002, quando iniciei a graduação em Química Industrial na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), campus de Erechim (RS), próximo à minha cidade natal, Getúlio Vargas (RS).
Ainda no segundo ano da graduação, fui convidado pela Prof. Dra. Sibele Pergher a integrar seus projetos de pesquisa relacionados à pilarização de argilas montmorilonitas, aplicadas como adsorventes e catalisadores para a despolimerização do poliestireno. Essa vivência no ambiente científico revelou-me novas possibilidades de transformação e inovação, consolidando meu interesse pela química de materiais e pela catálise.
Graduei-me em Química Industrial em 2007 e, com incentivo da Prof. Sibele Pergher, ingressei no mestrado em Química no Instituto de Química da UFRJ — na cidade que sempre desejei viver, o Rio de Janeiro. Durante o mestrado, aprofundei meus conhecimentos em catálise homogênea, com ênfase na síntese e caracterização de complexos metálicos aplicados como catalisadores, sob orientação dos professores Dr. Octávio A. C. Antunes (in memoriam) e Dr. Luiz F. B. Malta. Na sequência, iniciei o doutorado em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos na Escola de Química da UFRJ, orientado pelos professores Dr. Donato Aranda (UFRJ) e Dra. Sibele Pergher (UFRN), passando a atuar com catálise heterogênea, valorização do glicerol e uso de zeólitas como catalisadores.
Realizei três pós-doutoramentos que ampliaram minha base técnica e interdisciplinar. O primeiro, na UFU (2017–2019), foi focado em processos termoquímicos e pirólise de biomassas lignocelulósicas, sob supervisão do Prof. Dr. Ricardo Soares. Os dois seguintes foram realizados na UFF (2019–2025), sob orientação do Prof. Dr. Thiago Lima: o primeiro voltado ao desenvolvimento de nanocompósitos poliméricos baseados em grafeno e o segundo à aplicação de catalisadores em processos de hidrodesoxigenação de óleos vegetais para biocombustíveis avançados.
Também sou Licenciado em Química e concluí uma especialização em Neuropsicologia e Educação, visando atuar como educador mais preparado. Desde 2024, atuo como professor tutor na disciplina de Introdução aos Processos Químicos e Bioquímicos da UFRJ, graças ao convite da Profa. Dra. Chaline Detoni.
Com 22 anos de experiência em pesquisa, atualmente desenvolvo projetos na UFF com o Prof. Dr. Thiago Lima e colaboro com os professores Dr. Donato Aranda e Dra. Yordanka Cruz (EQ/UFRJ), (co)orientando alunos de graduação e pós-graduação.
Consolidei competências em áreas como: síntese e caracterização de catalisadores, adsorventes e nanomateriais poliméricos; valorização de biomassa e óleos vegetais; modelagem cinética; reuso e desativação de catalisadores; processos termoquímicos; uso de microalgas; hidrotratamento e hidrodesoxigenação para a produção de biocombustíveis e biolubrificantes.
Ainda tenho muito a aprender e contribuir, mas sou grato pelas oportunidades, parcerias e amizades que a ciência e a catálise me proporcionaram. Elas me ajudaram a realizar os sonhos da infância: morar no Rio de Janeiro, ser cientista e atuar na música como cantor do coro da Companhia de Ópera da Lapa.
Lattes
Rômulo Batista Vieira é docente da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB, localizada na cidade de Redenção – CE, primeira cidade do Brasil a abolir a escravidão antes da Lei Áurea. É Bacharel em Química pela UFC (2010), Mestre em Química Inorgânica (2013) e Doutor em Ciências (2017), pela UNICAMP, sob a orientação da Profa. Dra. Heloise de Oliveira Pastore, tendo estudado a síntese de silicatos lamelares funcionalizados aplicados na adsorção de CO2.
Entre 2018 e 2024, atuou como Professor Substituto na Universidade do Estado da Bahia – UNEB, na cidade de Juazeiro – BA, ministrando disciplinas da área de Química. Sua pesquisa é voltada para síntese e caracterização de materiais nanoestruturados, e suas aplicações em Adsorção e Catálise, especificamente na remoção e/ou degradação de contaminantes emergentes. Quando criança, ganhou de presente um kit de laboratório, e costumava misturar tudo que encontrava na cozinha da sua mãe.
A partir daquele momento, a Química já estava presente em sua vida, começando apenas como uma brincadeira de criança, tornando-se hoje a sua profissão.
Eu nasci em Barbacena-MG e ainda, bem pequena, já era claro que seria uma professora. Mas o caminho para as ciências exatas apareceu mais tarde, já que não havia referência familiar razoavelmente próxima nestas áreas. Foi uma descoberta individual e progressiva. Fui aprovada em Farmácia na UFMG para o 2o semestre letivo e em Ciências na atual UFSJ para o 1o semestre letivo. A ansiedade não me deixou esperar e iniciei a graduação no curso de Ciências, o qual cursei por 2 anos para descobrir que queria estudar Química. Fui para a UFV e lá me formei no ano de 2003 em ambos os cursos, licenciatura e bacharelado em Química, recebendo a medalha de honra "Arthur Bernardes", pelo destaque entre meus pares e pelo brilhante desempenho acadêmico do CRQ-MG.
Durante minha graduação eu já sentia a dicotomia que eu (felizmente) viveria mais tarde sobre minhas aptidões profissionais: a pesquisa e o ensino. Dediquei-me à Iniciação Científica e também ao Programa de Tutoria da UFV durante quase todo o período de graduação. Desenvolvi um gosto particular pela pesquisa em química experimental e participei dos meus primeiros Encontros Regionais da SBQ. Paralelamente aprendia muito sobre ensino tutorando colegas ingressantes. Em aulas práticas para o ensino de química experimental conheci um professor inspirador, Per Christian Braathen, cuja história de vida e vivência da docência falavam com a minha vocação genuína para o ensino. Assim descobri minha vocação acadêmica.
Após a conclusão das minhas graduações fui aprovada como bolsista para alguns programas de pós graduação em Minas e também na Engenharia Química da UFSCar para início imediato. Escolhi a UFSCar, particularmente pelo meu interesse genuíno em áreas aplicadas da química e apostando numa instituição de maior destaque, mas sem dimensionar a magnitude da área de pesquisa em Catálise da UFSCar. Não demorou para eu tomar ciência e fazer um bom proveito disso.
Fui desde então e até a conclusão da minha pós graduação orientada pelo Prof. José Maria Correa Bueno, a quem muito agradeço. No mestrado, trabalhamos em parceria no laboratório do Prof. Ulf Schuchardt e já pude conhecer vários colegas. No primeiro ano de mestrado, em 2004, participei do VI ERCat/Regional 3 realizado em Americana-SP e, desde então, sempre estive presente. Defendi o mestrado às vésperas do 13oCBCat, realizado em Foz do Iguaçu e organizado pelo Prof. José Maria, sendo o meu primeiro de tantos outros Congressos Brasileiros de Catálise, inclusive atuando na organização. Desta maneira conheci muitos colegas da comunidade catalítica brasileira e fiz amigos memoráveis, como o Prof. Victor Teixeira.
No doutorado, trabalhamos em parceria com a Profa. Daniela Zanchet, pesquisadora do LNLS naquela época, e avançamos em setups para os experimentos catalíticos heterogêneos in situ e operando a altas temperaturas, algo importante e inovador para pesquisas em Catálise. Fiz um doutorado sanduíche com o Prof. Harold Kung na Northwestern University, nos Estados Unidos, tendo sido uma experiência valorosa. No final de 2009 conclui meu doutorado e recebi o prêmio de melhor tese em Catálise do biênio pela Sociedade Brasileira de Catálise, apresentado-a no 16oCBCat, realizado em 2011, em Campos do Jordão.
Permaneci como pós doc no LabCat/UFSCar e fui aprovada no concurso para docente da Engenharia Química da UFSCar, no final de 2010, atuando prioritariamente no ensino de Cinética e Reatores Químicos. Nos primeiros anos da minha carreira acadêmica, como pesquisadora, iniciei estudos sobre preparação e caracterização de catalisadores e nanocatalisadores de metais nobres e de transição suportados, óxidos mássicos e mistos, reações de oxidação de hidrocarbonetos leves, aromáticos e de CO, reforma do metano, etanol e outras biomassas, produção de H2 e gás de síntese (CO e H2) e a utilização de CO2. Continuei em colaboração com a pesquisa de caracterização de materiais através de diversas técnicas espectroscópicas e em experimentos de catálise heterogênea "in situ" para estudos dos mecanismos das reações catalíticas heterogêneas. Foram várias orientações de mestrado e de iniciação científica (20) antes do período pandêmico, em 2020. Em 2015, fui eleita coordenadora da Regional 3 de Catálise, tendo atuado na vice coordenação outros 4 anos. Atuei na Comissão Executiva do 20CBCat, realizado em São Paulo no ano de 2019. Porém, foi o único CBCat que não estive presente desde 2005, dado o nascimento recente da minha filha.
Paralelamente minhas atuações voltadas para o ensino intensificavam-se. Fiquei à frente da coordenação do Curso da Engenharia Química por 5 anos, de 2019 a 2024, tendo coordenado uma grande reformulação do currículo do curso por competências e contemplando a curricularização da extensão. Em 2017, fui co-fundadora e coordenadora do Programa Acadêmico de Apoio ao Estudante de Graduação (PAAEG) da UFSCar, onde permaneci por 6 anos, um programa de acolhimento e tutoramento de estudantes ingressantes baseado em metodologias ativas e ensino centrado no estudante. Como estudiosa e entusiasta das metodologias ativas e colaborativas de ensino-aprendizagem, tenho também desenvolvido trabalhos na área de Educação para o Ensino Superior de Ciências Exatas, já tendo orientado mais de 30 trabalhos de conclusão de curso, nove deles nesta temática. Tenho participado assiduamente e publicado trabalhos em eventos científicos dedicados ao ensino de ciências exatas. Em 2024 fui palestrante convidada para a edição do 51o Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE). Atualmente também componho a equipe do Programa de Metodologias Ativas e Avaliação da UFSCar (MetAA), atuando na formação docente continuada.
Assim, na pesquisa e no ensino, sigo inspirada por Jean Piaget: "Professor não é o que ensina, mas o que desperta no aluno a vontade de aprender".
Nasci em Rurópolis, uma pequena cidade no interior do Pará, em uma família simples. Estudei em escola pública e, ao concluir o ensino fundamental, iniciei o curso de magistério — uma das poucas opções na época. Porém, surgiu uma oportunidade: uma seleção para estudar no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, em Castanhal/Pará (IFPA). Incentivada por uma amiga, decidi tentar. Fizemos a prova e apenas seis pessoas da cidade foram aprovadas — entre elas, eu. Foi uma alegria imensa, o primeiro grande passo para mudar minha história.
O desafio seguinte foi convencer minha família a me deixar sair de casa para morar a centenas de quilômetros. Nunca esqueço da nossa primeira viagem: três dias de ônibus pela Transamazônica em pleno inverno amazônico, enfrentando atoleiros, com malas e um sonho de estudar.
Após concluir o curso técnico — período em que comecei a me interessar por Química — prestei vestibular para Agronomia (FCAP/UFRA) e Engenharia Química (UFPA), sendo aprovada em ambas. Escolhi Engenharia Química, apesar dos comentários sobre a dificuldade do curso. Ao longo da graduação, enfrentei desafios, mas segui firme, acreditando que “é justo que muito valha o que muito custa”.
Durante a graduação, tive meu primeiro contato com a pesquisa em catálise, em um projeto com catalisadores mesoporosos — experiência que despertou minha paixão pela área. Também atuei em projetos em parceria com a ALBRÁS, o que ampliou minha formação prática e reforçou meu interesse pela pesquisa.
Após a formatura e o casamento, mudei-me para o Rio de Janeiro, em 2003. No ano seguinte, iniciei um MBA em Petróleo e Gás na FGV. Em 2005, ingressei no mestrado em Engenharia Química (PPGEQ/UERJ) na segunda turma do programa. Foi na disciplina de Zeólitas, ministrada pela Profa. Cristiane Henriques Assumpção, que me encantei definitivamente pelo tema. Decidi, então, desenvolver minha dissertação sob orientação da Profa. Cristiane e da Profa. Fátima Maria Zanon Zotin, com o trabalho intitulado “Transformação de Metanol em Olefinas Leves Catalisada por Zeólitas HZSM-5”. A partir daí, o desejo pela vida acadêmica só cresceu.
Após o mestrado, dei continuidade às atividades no laboratório da Profa. Cristiane e iniciei o doutorado na COPPE/UFRJ, com orientação dela e do Prof. Victor Teixeira da Silva (in memoriam), com o trabalho “Conversão do Etanol em Produtos de Interesse para a Indústria Petroquímica”, concluído em 2013. A maior parte dos experimentos foi realizada na UERJ, permitindo continuidade à pesquisa com zeólitas. No doutorado, também iniciei estudos com catalisadores à base de carbetos, sob orientação do Prof. Victor, que ampliaram minha visão sobre catálise e aprofundaram meu amadurecimento científico.
Incentivada por meus orientadores e pelo Prof. André Luiz Hemerly Costa, prestei concurso para o Departamento de Processos Químicos da UERJ, sendo aprovada. Desde 2015, atuo como professora da instituição que me acolheu, desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão. Tenho orientado alunos de iniciação científica, estágio interno complementar, extensão, mestrado, doutorado e participado de projetos para captação de recursos. Atuei também como chefe de departamento e, desde 2024, sou bolsista do programa Prociência/UERJ.
Minha pesquisa é voltada para catálise heterogênea, com ênfase em zeólitas e óxidos mistos, abordando a conversão de álcoois e a valorização de derivados de biomassa em produtos de interesse para as indústrias química e petroquímica. Tenho especial interesse no desenvolvimento de catalisadores aplicados aos setores de petróleo, petroquímica e biocombustíveis.
Cada passo da minha trajetória reafirma minha convicção de que a educação e a ciência transformam vidas. A catálise não apenas moldou minha carreira, mas também abriu caminhos de superação.
Nasci em Ipatinga, Minas Gerais, e desde muito pequena aprendi com minha mãe, Edivane, e meu pai, Luiz, que a educação era uma ferramenta poderosa para transformar realidades. Minha trajetória acadêmica começou ainda na pré-adolescência, quando decidi que estudar seria meu caminho para mudar de vida. Entrar para a universidade parecia um sonho distante, mas em 2011, graças ao apoio da minha família e às políticas de ações afirmativas, ingressei no curso de Licenciatura em Química na Universidade Federal de Viçosa (UFV). Na UFV, tive minha primeira experiência com pesquisa e extensão. Participei do PIBID (Programa de Iniciação à Docência), onde me descobri professora, e realizei iniciação científica na área de química inorgânica biológica.
Em 2015, me tornei a primeira pessoa da minha família a concluir o ensino superior. A pesquisa científica ganhou ainda mais força em minha vida em 2016, quando iniciei o mestrado em Química na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob orientação da professora Ana Paula de Carvalho Teixeira. No Grupo de Tecnologias Ambientais (Grutam), trabalhei com reaproveitamento de rejeitos da mineração de ferro para produção de nanomateriais de carbono, aplicados na adsorção de contaminantes emergentes. Nesse processo, desenvolvi habilidades em síntese e caracterização de materiais e catalisadores.
Em 2018, iniciei o doutorado na mesma instituição, focada na produção de carbonos mesoporosos para remoção de poluentes ambientais. Esse trabalho impulsionou a criação de uma nova linha de pesquisa no grupo, com aplicações ampliadas e colaborações diversas. Defendi minha tese em 2022, e logo comecei o pós-doutorado em um projeto do edital “Mover”, voltado para o desenvolvimento de carbonos mesoporosos sustentáveis, a partir de biomassa, com foco em baterias para carros elétricos. Também me envolvi com projetos de inovação no CTNANO/UFMG, centro de pesquisa do qual faço parte desde 2021, dedicado ao desenvolvimento de tecnologias baseadas em nanomateriais. Em 2023, recebi o Prêmio Jovem Pesquisador (pós-doc), concedido pela Royal Society of Chemistry em parceria com a Sociedade Brasileira de Química.
Essa conquista teve um profundo impacto sobre minha autopercepção: comecei, de fato, a me reconhecer como cientista. Em 2024, tive a oportunidade de realizar um estágio de curta duração na Universitat Politècnica de València, no grupo do professor Antonio Lara Chica, que desenvolve catalisadores aplicados em diferentes áreas da sustentabilidade. Atualmente, continuo meu pós-doutorado no Grutam/UFMG, além de atuar como supervisora de projetos no CTNANO/UFMG. Minha trajetória acadêmica e profissional é dedicada ao desenvolvimento de materiais de carbono, com foco em soluções para remediação. Além da ciência, tenho profundo interesse em pautas étnico-raciais, feministas e educacionais. Nos últimos tempos tenho tido a oportunidade de falar sobre essas temáticas em palestras e entrevistas.
A pesquisa em materiais e catálise contribuíram para transformar a minha vida pois, de uma menina preta, pobre, nascida no interior de Minas, sem muitas perspectivas, eu me tornei uma cientista. Portanto, não apenas acredito que o conhecimento pode construir uma sociedade mais justa e equânime, eu vivi essa transformação. Sou muito grata às possibilidades que a ciência me deu e continua me dando.
Também sou grata a tudo que tornou possível minha trajetória até seja as pessoas que cruzaram meu caminho, as lutas históricas travadas por quem veio antes de mim, mesmo que eu não as conheça, e as políticas públicas que nasceram dessas batalhas coletivas.
Afinal, como ensina a filosofia africana ubuntu: 'Eu sou porque nós somos”. Sei que ainda tenho um longo caminho profissional pela frente, porém tenho muito orgulho da trajetória que venho construindo.